Na praia, sócio de ex-secretário de Saúde se livra da prisão

Assim como Renato Vidigal, Raphael Henrique Torraca Augusto teve prisão decretada na 2ª fase da Operação Purificação.

| CAMPO GRANDE NEWS / HELIO DE FREITAS, DE DOURADOS


Raphael Torraca, o 'Pardal' (à esquerda), teve prisão decretada, mas não foi encontrado pela PF (Foto: Reprodução)

O ex-servidor público e promotor de eventos Raphael Henrique Torraca Augusto, 36, o “Pardal', é a segunda pessoa que teve a prisão preventiva decretada na segunda fase da Operação Purificação, deflagrada nesta quarta-feira (6) pela Polícia Federal em Dourados, a 233 km de Campo Grande. Entretanto, Raphael não foi localizado em casa. Ele está em Florianópolis (SC) e já informou à PF que vai se apresentar.

A reportagem apurou que Raphael teve a prisão decretada acusado de participar do desvio de R$ 2 milhões em verba federal destinada à saúde pública da segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul.

Ele é apontado como sócio do ex-secretário de Saúde e atual coordenador do Samu (Serviço Móvel de Urgência) Renato Vidigal, que foi preso hoje cedo pela Polícia Federal. A segunda fase da Operação Purificação é feita em conjunto com a Controladoria Geral da União, Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual.

Em fevereiro deste ano, na primeira fase da operação, a PF descobriu ligação de Renato Vidigal e Raphael Torraca com a empresa Marmiquente Comércio de Bebidas e Alimentos Ltda., contratada por dispensa de licitação pela prefeitura por R$ 1,8 milhão para fornecer alimentação para a Funsaud (Fundação de Serviços de Saúde), que administra o Hospital da Vida e a UPA (Unidade de Pronto Atendimento).

A sociedade entre o então secretário de Saúde e o então servidor com a empresa também foi comprovada em fiscalização da CGU. Relatório da Controladoria apontou “indicativo de conluio ou fraude processual'.

A fiscalização apontou irregularidades na dispensa licitatória 020/2017 para contratação de fornecimento de refeições a pacientes internados, acompanhantes e funcionários do Hospital Vida e da UPA.

Relatório da CGU anexado à investigação feita pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul apontou ligação do representante da Marmiquente Ronaldo Gonzales Menezes com Renato Vidigal e Raphael Torraca, na época dirigentes da Secretaria de Saúde de Dourados.

Segundo a Controladoria, os três foram sócios da empresa Safety Assessoria, Planejamento e Execução em Segurança Ltda., de 11 de dezembro de 2012 a 4 de dezembro de 2014.

“Em relação a Raphael Henrique Torra Augusto, em consulta ao Diário Oficial de Dourados, de 19 de janeiro de 2017, constatou-se que foi nomeado, a partir de 9 de janeiro de 2017, para o cargo de diretor de Departamento da Secretaria Municipal de Saúde de Dourados. Por sua vez, Renato Oliveira Garcez Vidigal à época da realização da dispensa de licitação ocupava o cargo de secretário municipal de Saúde de Dourados, desde 1 de janeiro de 2017', apontou o relatório da CGU.

Ronaldo Gonzales Menezes foi preso temporariamente na primeira fase da Operação Purificação, em fevereiro. Já na primeira fase a PF descobriu que a Marmiquente era empresa de fachada.

Além dos mandados de prisão, a PF cumpre hoje oito mandados de busca em Dourados. Um dos locais vistoriados é a Secretaria de Saúde, na Rua Coronel Ponciano. As equipes da PF chegaram ao local por volta de 6h e deixaram o prédio às 9h.



PUBLICIDADE
PUBLICIDADE