Abate de bovinos cai em 60% e acende sinal de alerta no setor frigorífico de MS

Disparada no preço do boi vivo e baixo poder de compra dos brasileiros, também contribuíram para o percentual.

| JHEFFERSON GAMARRA / CAMPO GRANDE NEWS


Linha de produção em frigorífico de Mato Grosso do Sul (Foto: Arquivo)

A falta de boi no campo, o alto preço da arroba e a diminuição do consumo ocasionada pelo baixo poder de compra da população brasileira, tem obrigado os frigoríficos a diminuir drasticamente a quantidade de abates de bovinos em Mato Grosso do Sul.

De acordo com o presidente da Assocarnes (Associação de Matadouros, Frigoríficos e Distribuidores de Carnes de Mato Grosso do Sul), Sérgio Capucci, a situação é delicada, e caso o cenário não mude, poderá haver um grande fechamento em indústrias frigoríficas do estado.

“Os abates para frigoríficos que não são exportadores caiu em até 60%, falta boi no campo, os preços são altos e o poder de compra do brasileiro diminui muito. Quem está na cadeia do meio, que são os frigoríficos, sofreram um grande impacto. Até os grandes que fazem exportações tiveram uma diminuição de 10%. Por enquanto o setor está se mantendo, mas não está longe de acontecer um grande fechamento', relata.

Em 2020, foram abatidos 3,2 milhões de cabeças de bovinos em Mato Grosso do Sul, o número pode parecer alto, mas de acordo como IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), representa uma queda de 13,9% em relação a 2019. O estado foi o que teve a 2ª maior queda entre as 24 federações que tiveram variação negativa.

Enquanto os volumes de abates atingem mínimas históricas a indústria frigorífica enfrenta ainda dificuldades em repassar para o consumidor final o aumento de custos gerado pela disparada da arroba do boi gordo, que em Mato Grosso do Sul já ultrapassa R$ 300.

“São vários desestímulos, a seca no pasto já vem durando alguns anos, o milho está caríssimo, a produção do bezerro ficou cara, todos esses fatores aumentam o preço do boi vivo e a cadeia do meio é a que mais sofre. Não conseguimos repassar o aumento do boi para o consumidor final, se fosse repassar era pra carne estar muito mais cara', reitera o presidente da Assocarnes.

Mesmo sem conseguir repassar todo o valor, o aumento de custos gerado pela alta do boi gordo, já reflete nas gôndolas dos supermercados e açougues brasileiros e tem obrigado os consumidores fazer adaptações.

De acordo com Róger D'Ávila, que há 5 anos administra um açougue em Campo Grande, apesar de estar bem abastecido de mercadoria, o movimento reduziu nos últimos tempos e as altas nos preços de cortes especiais fez com que os consumidores optassem por carnes de segunda, como músculo, agulha, miolo de paleta, capa de conta filé, costela e outras carnes com osso.

“A procura diminuiu muito, as pessoas têm procurado preços baixos e promoções, além disso aumentou o consumo a carne de segunda. Cortes especiais diminuiu muito, trabalho com carnes frescas então tenho que me programar para a carne não ficar estocada no freezer, tem que ter giro', comentou o proprietário do comércio.

O cenário de incertezas no mercado preocupa o empresário. “Consigo manter um padrão de vendas por conta da localidade, nas vi muitos amigos que tinham açougues pequenos precisando fechar as portas', enfatizou.


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